Alimentação, fome e capitalismo selvagem / Os porquês da fome

 Por aqui, fica a transcrição de excertos do livro de Jean Ziegler “A Fome no Mundo Explicada a Meu Filho, obtida em Ricos e Pobres(e em Histórias para Todos) .
O texto é de 2002, e os números hoje são diferentes, mas infelizmente não são melhores. Somos já cerca de 7 mil milhões de pessoas, das quais cerca de 1/7 (925 milhões) sofre de fome crónica, e os ricos cada vez estão mais ricos. Para além de se produzir alimentos para queimar como biocombustíveis, do enorme desperdício de alimentos, da desflorestação e das alterações climáticas, constatamos aqui, mais uma vez, que o principal responsável pela fome que grassa no mundo é ocapitalismo selvagem. Esse mesmo que levou muitos milhares de pessoas pelo mundo fora a sair à rua para se manifestarem contra, ainda ontem.  Aconselho também as mensagens sobre os Motivos da Fome no Mundaqui (1) e aqui (2).
A Fome no Mundo Explicada a Meu Filho – Jean Ziegler
Imagem de Wikipedia
— Quantas pessoas no mundo estão actualmente ameaçadas de morrer de fome?
— A FAO (Food and Agricultural Organization),Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas, avalia, no seu último relatório, em mais de 30 milhões o número de pessoas que morreram de fome em 1999 e, para o mesmo período, em mais de 828 milhões de seres torturados pela desnutrição grave e permanente. São homens, mulheres e crianças que, devido à falta de alimentos, padecem de lesões frequentemente irreversíveis. Ou morrem num prazo mais ou menos breve, ou vegetam num estado de deficiência grave – cegueira, raquitismo, desenvolvimento precário da capacidade cerebral, etc.
Tomemos o exemplo da cegueira: em cada ano, sete milhões de pessoas, normalmente crianças, perdem a vista, na maioria das vezes por falta de uma alimentação suficiente ou como consequência de enfermidades vinculadas ao subdesenvolvimento. Cento e quarenta e seis milhões de cegos vivem nos países da África, da Ásia e da América Latina. Em 1999, Gore Brundtland, directora da Organização Mundial da Saúde, ao apresentar o seu plano “Visão 2020” em Genebra, disse: Oitenta por cento dos afectados na vista seriam perfeitamente evitáveis. Sobretudo por meio de uma dose regular de vitamina A para as crianças pequenas. Em 1990, havia 822 milhões de pessoas severamente afectadas pelo flagelo da fome. Podemos ler de duas maneiras estas estatísticas. Primeira leitura: as vítimas da subalimentação aumentam sem cessar no mundo, especialmente nos países do Sul; mas se comparamos os mártires do flagelo da fome com a progressão demográfica da população mundial, constatamos um ligeiro retrocesso. Em 1990, 20% da humanidade sofria de subalimentação extrema; oito anos depois, “só” 19%.
 Onde vivem as pessoas mais gravemente subalimentadas?
— No sul e leste da Ásia, 18% dos homens, mulheres e crianças, padecem de uma severa desnutrição. Na África, o seu número alcança 35% da população continental. Na América Latina e no Caribe, 14%. As três quartas partes dos “gravemente subalimentados” do planeta são gente do campo; a outra quarta parte são habitantes das periferias que se amontoam em torno das metrópoles do Terceiro Mundo.
— A nossa Terra poderia alimentar convenientemente em cada dia todos os seus habitantes?
— Não só isso, mas poderia alimentar pelo menos o dobro da população mundial actual. Hoje em dia somos quase seis biliões de seres humanos na Terra. Há mais de quinze anos, a FAO elaborou um relatório no qual assinalava que o mundo, no estado actual das forças de produção agrícola, poderia alimentar sem problema mais de doze biliões de seres humanos. Alimentar quer dizer fornecer a cada homem, mulher e criança uma ração equivalente a 2.400 ou 2.700 calorias diárias, uma vez que as necessidades alimentares variam segundo os indivíduos, em função do trabalho que realizam e das zonas climáticas onde vivem.
— O flagelo da fome não é então uma fatalidade?
— De modo algum. Se a distribuição de alimentos na Terra fosse justa, haveria comida suficiente para todo o mundo.
— Por que razão nunca ninguém nos fala na escola da fome no mundo e das pessoas que a provocam e daquelas que a combatem?
— Para mim, isso também é um mistério. Muitos professores de institutos e de escolas são pessoas abertas, generosas e estão profundamente solidarizadas com a luta dos povos do Terceiro Mundo. Muitos deles alertam os seus alunos quando se declara uma fome grave e promovem-se colectas públicas. No entanto, não sei de nenhuma escola onde o tema da fome, que mata todos os dias mais gente do que todas as guerras do planeta juntas, figure no seu programa. Não existe nenhum tipo de ensino onde se analise, se discuta o problema da fome, se examinem as suas raízes e os meios de lhe dar um fim.
Mas os técnicos internacionais dizem as coisas bem claras. Ouça, por exemplo, esta frase que é a conclusão de um relatório da FAO de 1998: “Os últimos dados não permitem contemplações, uma vez que o progresso numas regiões tem sido anulado pela deterioração noutras”. Isto quer dizer que as batalhas ganhas numa frente são imediatamente anuladas pelas derrotas sofridas noutra. Os bons sentimentos não bastam, são um luxo para os filhos dos ricos. A calamidade da fome manifesta-se de mil maneiras. O seu aparecimento e os seus efeitos exigem análises precisas e pormenorizadas. Mas a escola não diz nada, não cumpre a sua função. Os adolescentes frequentemente saem dela cheios de bons sentimentos e de uma vaga convicção de solidariedade, mas nunca com um verdadeiro conhecimento, uma clara consciência das origens e dos estragos da fome.
— Como se a fome fosse um tabu?
— Exactamente. Um tabu que dura há muito tempo. Já em 1952 o brasileiro Josué de Castro dedicava todo um capítulo do seu célebre livro Geopolítica da fome a esse “tabu da fome”. A sua explicação é interessante: as pessoas sentem-se tão envergonhadas por saber que uma grande parte dos seus semelhantes morre por falta de alimento que ocultam o escândalo com um espesso silêncio. Esta vergonha é compartilhada pela escola, pelos governos e pela maioria de nós.
O nível de alimentação está em relação directa com o nível de bem-estar e com o nível de saúde das pessoas. Por um lado, onde não se come o suficiente, encontramos pobreza, miséria, desnutrição, doença, fome e morte. Por outro, no extremo oposto, onde há meios de subsistência e alimentos, encontramos esperança desde o nascimento, saúde e vida.
Imagem de CNN World
Já no ventre da mãe, o bebé sofre as consequências desta desigualdade, inclusivamente na constituição de seu intelecto. A desnutrição da mãe durante a gestação — quando o bebé deve desenvolver o conjunto de células que o constituirão como um ser dotado de todas as suas faculdades — diminui as possibilidades de que a criança nasça, pois a placenta — alimento, água, oxigénio e anticorpos do bebé instalado no útero — não escapa aos danos causados pelas carências de alimentação. A mãe deve nutrir-se convenientemente desde a formação do embrião. A constituição física e intelectual da criança, a sua capacidade de desenvolvimento e a sua força para o trabalho também dependem da alimentação que vai receber desde o momento do seu nascimento. A criança chega ao mundo num ambiente condicionado: ou com muitos privilégios ou com muitas privações. Nos primeiros anos da história da humanidade, o mundo era aquele em que o macho mais forte se apropriava da comida da qual necessitavam a mulher e a criança. Hoje, a história não mudou em absoluto, porque os poderosos continuam a apropriar-se da comida.
 Por quê esses esqueletos da fome? Por quê esse martírio quotidiano, interminável, para tantas centenas de milhões de seres humanos?
— A causa principal das hecatombes por subalimentação e por fome aguda é a desigual distribuição das riquezas do nosso planeta. Esta desigualdade é negativamente dinâmica: os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Em 1960, 20% dos habitantes mais ricos do mundo desfrutavam de uma renda 31 vezes superior à dos 20% mais pobres. Em 1998, o rendimento dos 20% mais ricos é 83 vezes superior à dos 20% mais pobres. A concentração do rendimento e das riquezas nas mãos de uns poucos progride a grande velocidade.
O conceito de desigualdade soa-nos irreal e o seu significado é insuficiente. O termo aparece num mundo que já não se assusta com as estatísticas. As cifras acima referidas escondem uma realidade de sofrimento e de desespero. A desigualdade negativamente dinâmica que rege a ordem actual do mundo produz a seguinte situação: por um lado, um poder político, económico, ideológico, científico e militar sem limites identificáveis, exercido por uma escassa oligarquia transnacional; por outro, a falta de vida, o desespero e o flagelo da fome vividos por centenas de milhões de seres anónimos. A oligarquia decide o destino da multidão. A massa de vítimas anónimas padece, impotente, a sua própria agonia. Só a brutal imbecilidade de um regime de classes sociais existentes antes do seu nascimento, de ideologias discriminatórias, de privilégios defendidos pela violência explica a desigualdade entre os seres humanos.
A política deve velar para que todos possam saciar a fome. Seria horrível tomarmos como natural o facto de todos os anos morrerem dezenas de milhões de pessoas por causa da subalimentação crónica e da fome aguda. A fatalidade não preside à ordem mortal do mundo. Basta lembrar que, no actual estado das forças produtivas agrícolas, seria possível alimentar sem problemas doze mil milhões de pessoas. Alimentar significa proporcionar a cada indivíduo 2.600 calorias por dia. A população actual do mundo chega a menos de seis mil milhões de pessoas.
Conclusão: estamos diante de uma falta contingente e não de uma falta objectiva de alimentos. Por outras palavras, o problema da grave fome no mundo é um problema social. As centenas de milhões de pessoas que morrem todos os anos de subalimentação aguda morrem por causa da injusta distribuição de alimentos disponíveis no planeta. A Acção contra a Fome, organização não-governamental (ONG), de um compromisso exemplar, constata que “um grande número de pobres no mundo carece do alimento necessário, na medida em que a produção alimentar se ajusta à demanda solvente” Quem tem dinheiro, come. Quem não tem, morre lentamente de fome. Trata-se portanto de civilizar o actual jugo do capitalismo selvagem. A economia mundial é fruto da produção, distribuição, intercâmbio e consumo de alimentos. Afirmar a autonomia da economia em relação à fome é absurdo ou, pior ainda, é um crime. Não se pode abandonar a luta contra essa catástrofe ao livre jogo do mercado. Todos os mecanismos da economia mundial devem submeter-se a este imperativo primordial: vencer a fome, alimentar convenientemente todos os habitantes do planeta. Para impor este imperativo é preciso criar uma estrutura jurídica internacional, apoiada em tratados e normas. Jean-Jacques Rousseau escreveu: “Entre o fraco e o forte, é a liberdade que oprime e a lei que liberta”. A liberdade total do mercado é um sinónimo de opressão; a lei é a primeira garantia da justiça social.
O mercado mundial necessita de normas e de uma restrição imposta pela vontade colectiva dos povos. A luta contra a maximização do lucro como única motivação dos protagonistas que dominam o mercado e a luta contra a aceitação passiva da miséria são imperativos urgentes. É preciso fechar a Bolsa das matérias-primas agrícolas de Chicago, combater a deterioração constante das relações de intercâmbio e acabar com a estúpida ideologia neo-liberal que deslumbra a maioria dos governos dos países ocidentais. O ser humano é o único vertebrado que pode sentir na sua consciência o sofrimento do outro. Será que a constituição de uma consciência da identidade, da solidariedade radical com aquele que sofre se infere de um projecto utópico? Não. No decurso da história já ocorreram alguns saltos qualitativos análogos. Por exemplo, o nascimento do Estado. Numa época remota, os humanos fizeram uma escolha fundamental: até então, a solidariedade, a identificação com o outro limitavam-se à família, ao clã, em consequência, àqueles cujo rosto era conhecido e cuja presença física era sensível.
Com o nascimento da nação e do Estado, o ser humano fez-se pela primeira vez solidário com aqueles que não conhecia e com os que provavelmente nunca encontraria. Acabava de nascer um sentimento de identidade nacional, algumas instituições de solidariedade, uma consciência supra-familiar, uma lei comum. A única identidade humana válida é a que nasce do encontro real ou imaginário com os outros, do acto de solidariedade. Não pode haver um mundo dentro do mundo, uma inserção de bem-estar num mundo de dor. É inaceitável uma economia mundial que relega para o não-ser a sexta parte da humanidade. Se o flagelo da fome não desaparecer rapidamente do nosso planeta, não haverá humanidade possível. Portanto, é preciso reintegrar na humanidade essa “fracção sofredora”, que hoje está excluída e perece na noite.
Jean Ziegler,  A Fome no Mundo Explicada a Meu Filho, Petrópolis, Editora Vozes, 2002, (Excertos adaptados)”  (Nota: o negrito é meu)
Os porquês da fome  
por Esther Vivas
“Vivemos num mundo de abundância. Hoje ele produz alimentos para 12.000 milhões pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), quando no planeta habitam 7.000.Comida, há. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome?
A emergência alimentar que afecta mais de 10 milhões de pessoas no Corno de África voltou a colocar na actualidade a fatalidade de uma catástrofe que nada tem de natural. Secas, inundações, guerras … contribuem para o agravamento de uma situação de extrema vulnerabilidade alimentar, mas não são os únicos factores que a explicam.
A fome no Corno da África não é novidade. A Somália está enfrenta uma situação de insegurança alimentar há 20 anos. E, periodicamente, os meios de comunicação lembram-nos, nos nossos confortáveis ​​sofás, o impacto dramático da fome no mundo. Em 1984, quase um milhão de pessoas morreram na Etiópia; em 1992, 300.000 somalis morreram de fome; em 2005, quase cinco milhões de pessoas à beira da morte no Malawi, citando apenas alguns casos.
A fome não é uma fatalidade inevitável que afecta certos países. As causas da fome são políticasQuem controla os recursos naturais (terra, água, sementes) que permitem a produção de alimentos? A quem beneficiam as políticas agrícolas e alimentares? Hoje, os alimentos converteram-se numa mercadoria, e sua principal função, a alimentação, ficou em segundo plano.
Se aponta a seca, com a consequente perda de colheitas e gado como um dos principais desencadeadores da fome no Corno de África, mas como é que países como os Estados Unidos e a Austrália, que sofrem severas secas periódicas, não sofrem de fome extrema? Evidentemente, os fenómenos meteorológicos podem agravar os problemas de alimentação, mas não o suficiente para explicar as causas da fome. No que respeita à produção de alimentos, o controle de recursos naturais é a chave para compreender quem e para quê se produz.
Em muitos países do Corno de África, o acesso à terra é um bem escasso. A compra massiva de solo fértil por investidores estrangeiros (agro-indústria, governos, fundos especulativos…) provocou a expulsão de milhares de camponeses de suas terras, diminuindo a capacidade desses países para se alimentarem. Assim, enquanto o Programa Alimentar Mundial tenta alimentar milhões de refugiados no Sudão, ocorre o paradoxo de que os governos estrangeiros (Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Coréia …) estão a comprar as suas terras para produzir e exportar alimentos para as suas populações.
Além disso, há que recordar que a Somália, apesar das secas recorrentes, foi um país auto-suficiente na produção de alimentos até o final dos anos setenta. A sua soberania alimentar foi arrebatada em décadas posteriores. A partir dos anos oitenta, as políticas impostas pelo FMI e pelo Banco Mundial para o país pagar sua dívida ao Clube de Paris, forçaram a implementação de um conjunto de medidas de ajuste. No que se refere à agricultura, estas implicaram uma política de liberalização comercial e abertura dos seus mercados, permitindo a entrada massivo de produtos subsidiados, como arroz e trigo de multinacionais agroindustriais norteamericanas e europeias, que começaram a vender os seus produtos abaixo do preço de custo e fazendo concorrência desleal aos produtores locaisDesvalorizações periódicas da moeda somali também provocaram oaumento dos preços das matérias primas e fomentaram uma política de monoculturas para exportação,forçando, paulatinamente, ao abandono do campo. Histórias parecidas não ocorreram apenas em países de África, mas também na América Latina e na Ásia.
O aumento do preço dos cereais básicos é outro dos elementos identificados como detonador para a fome no Corno de África. Na Somália, os preços do milho e do sorgo vermelho aumentaram 106% e 180%, respectivamente, em apenas um ano. Na Etiópia, o custo do trigo subiu 85% em relação ao ano anterior. No Quénia, o milho atingiu um valor 55% superior ao de 2010. Uma escalada que tornou esses alimentos inacessíveis. Mas, quais são as razões para a escalada de preços? Vários indícios apontam para aespeculação financeira com matérias-primas alimentares como uma das principais causas.
O preço dos alimentos é determinado nas bolsas de valores, a mais importante das quais, em todo o mundo, é a de Chicago, enquanto que na Europa os alimentos são comercializados nas bolsas de futuros em Londres, Paris, Amsterdão e Frankfurt. Mas hoje em dia, a maior parte das compras e vendas desses bens não corresponde a fluxos de comércio real. Estima-se que, nas palavras de Mike Masters, do Hedge Fund Capital Management Masters, 75% do investimento financeiro no sector agrícola é especulativo. Compram-se e vendem-se matérias primas com o objectivo de especular e fazer negócios, que se pepercute, finalmente, no aumento do preço dos alimentos no consumidor final. Os mesmos bancos, fundos de alto risco, companhias de seguros, que causaram a crise das hipotecas subprime são aqueles que hoje especulam com os alimentos, aproveitando-se de um mercado global profundamente desregulado e altamente rentável.
A crise alimentar à escala global e a fome no Corno de África em particular, são o resultado da globalização dos alimentos ao serviço de interesses privados. A cadeia de produção, distribuição e consumo de alimentos está nas mãos de algumas multinacionais que colocam seus interesses particulares à frente das necessidades colectivas e ao longo das últimas décadas e, com o apoio das instituições financeiras internacionais, têm corroído a capacidade os Estados do sul para decidir sobre as suas políticas agrícolas e alimentares.
Voltando ao início, por que há fome num mundo de abundância? A produção de alimentos triplicou desde os anos sessenta, enquanto que a população global apenas se duplicou desde então. Não enfrentamos um problema de produção de alimentos, mas um problema de acesso. Como disse o relator da ONU para o direito à alimentação, Olivier de Schutter, numa entrevista ao El País: “A fome é um problema político. É uma questão de justiça social e políticas de redistribuição.”
Se queremos acabar com a fome no mundo é urgente apostar noutras políticas alimentares e agrícolas que coloquem no seu foco as pessoas, as suas necessidades, aqueles que trabalham a terra e o ecossistema. Apostar naquilo que o movimento internacional La Via Campesina chama de “soberania alimentar” e recuperar a capacidade de decisão sobre aquilo que comemos. Tomando de empréstimo um dos lemas mais populares do Movimento 15-M, é necessária uma “democracia real, já” na agricultura e na alimentação.”
Esther Vivas, do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidade Pompeu Fabra, e autora de “Del campo al plato. Los circuitos de producción y distribución de alimentos

 

retirado de:

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/2011/08/os-motivos-da-fome-no-mundo-parte-2.html



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